Apresentação, Manifesto

Manifesto

AOS PARTICIPANTES DO INCT EM TOXINAS
Inicialmente, em sabendo dos procedimentos para julgamento do Edital 015/2008, desde sua concepção, a complexidade do processo de avaliação, até a divulgação dos resultados, registro o reconhecimento à competência, a dedicação e o árduo trabalho dos Técnicos do CNPq, o agradecimento ao MCT e às Diretorias das Agências de Fomento.

Aqui, um manifesto aos integrantes do INCT EM TOXINAS…

Nesses últimos 15 – 20 anos, o homem deixou de representar o prioritário, deixou de ser a razão principal, imperante. Há uma crescente deformação de valores e, à medida que a qualidade de vida melhorou como, por exemplo, indicam os índices de mortalidade, tanto em relação à sobrevida de recém-nascidos ou idosos, a qualidade do ser humano piorou. A visão individualista sobrepuja o espectro do coletivo; o corporativismo, a absoluta necessidade de investir no eu, a competição sem qualquer justificativa, predominam e destroem qualquer possibilidade de que a lógica, a isenção e o bom-senso preponderem. Em várias ocasiões a felicidade vincula-se à infelicidade do próximo e os interesses próprios não deveriam estar acima dos interesses conjuntos.

Parece que não se exercita o intus legere [o ler dentro], a inteligência. Sob uma avalanche diária de informações sobre o senso comum, sobre as ciências, a maioria inexpressiva, o que se revela mais significativo passa a ser o que cada um, ensimesmado, produz. O dinheiro tomou o lugar do homem! Poucos detentores do poder discutem o domínio econômico, não mais o crescimento da civilização. Cultura refere-se a lazer, como se fosse opcional, e a educação importa enquanto matrícula; e os contextos abafam os conceitos. Quantos exercitam o pensamento, quantos refletem sobre o que lêem e, sobretudo, quantos praticam a autocrítica ante sua visão crítica? Num pequeno esforço poderemos preencher a lacuna tornando esse INCT um programa referencial.

O INCT EM TOXINAS foi aprovado e a felicidade é grande. Aqui, gostaria de registrar alguns aspectos que creio essenciais para todos participantes. O desejo maior é de que realizemos uma obra que, de fato, sirva para o agora e, sobretudo para gerações futuras. Essa aprovação representa o reconhecimento significativo refletindo-se em apoios institucionais e, a consciência de que só existimos pelo fato de nossas instituições existirem. Não somos melhores que outros, constituímos uma equipe disposta a gerar conhecimento, traduzi-los para a sociedade, produzindo e documentando uma cultura científica e educacional digna. Como não se trata de auxílios individuais, esse Programa adquire uma nova dimensão à qual, muitos de nós ainda não tivemos oportunidade de vivenciar ao longo das carreiras, mas que teremos a chance de exercitar.

Contamos com propostas que, muito provavelmente receberiam aprovação se encaminhadas separadamente, porém, a formulação desse Projeto inclusivo de áreas distintas das ciências biomédicas, caracterizou a unicidade de conceitos complementares e cumulativos das diferentes especialidades… Um passo crucial para gerar conhecimentos, ações educacionais, eventuais produtos e processos inovadores.

Com os expressivos R$ 6.840.000,00, esse INCT poderá integrar a tecnologia para a nossa sobrevivência científica, possibilitando a convivência para um futuro melhor e a preocupação constante para com as novas gerações. Esse apoio significa mais do que o reconhecimento de grupos, de pessoas; no meu entender significa alguns votos, que imagino do CNPq e FAPESP, de:

• Oferecer opções diferentes, conjuntas;
• Encontrar e trabalhar por objetivos comuns, pois o sucesso de cada núcleo será a bem sucedânea desse INCT;
• Expor e compartilhar os resultados, amputando diferenças que cerceiam a convivência;
• Sempre que oportuno, freqüentemos os diferentes Subprogramas e que transfiramos o que cada um possui de melhor;
• Somar ao recebido, o que já produzimos;
• Resgatar a convivência, nossa única saída contra a fragmentação do conhecimento, contra o isolamento cotidiano;
• Estimular novos projetos e multiplicar nossas ações na formação de jovens e para a sociedade.

Enquanto cientistas, habitantes do público, não se pode viver de posses; nessa nova dimensão que os INCT propõem, o compartilhar é imprescindível. Prosperaremos se compreendermos o Projeto como um todo e se exercitarmos virtudes esquecidas como a da paciência e da solidariedade. E não haverá privilégios, haverá direitos…

Há tempos, em conversa com um pesquisador, sugeri que parasse de pensar em aspectos negativos, pois pouco ou nada acrescentam à nossa vida. Disse que afinal, todos nós seremos substituídos por nossas idéias!

Em tempo…
Se forem boas!

São Paulo, 3 de dezembro de 2008

OSVALDO AUGUSTO SANT’ANNA.

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